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Espanha recebe mais de 2 milhões de imigrantes em apenas dois anos
Um em cada quatro residentes estrangeiros a viver em Espanha chegou entre 2023 e 2024. O país torna-se o principal destino migratório da Europa Ocidental.
+2 Mimigrantes em
23 meses
500 milregularizados por Sánchez em 2026
#1destino de chegadas na UE em 2024
+500 milnovos vistos de trabalho em Itália (26–28)
Por Redação Revista Emigrar · Bruxelas / Madrid15 Mai. 2026 · 6 min
Espanha tornou-se o epicentro da imigração europeia. Mais de dois milhões de migrantes estabeleceram-se no país entre 2023 e 2024 — o ritmo mais acelerado desde o grande ciclo migratório do início dos anos 2000 — consolidando Madrid e Barcelona como as novas capitais da diáspora latino-americana na Europa.
Os dados, divulgados pelo Instituto Nacional de Estadística e confirmados pelo Eurostat, mostram que um em cada quatro residentes nascidos no estrangeiro em Espanha chegou neste período de apenas 23 meses. O crescimento está particularmente concentrado entre cidadãos da Colômbia, Peru e Venezuela, mas inclui também uma vaga significativa de ucranianos, deslocados pela guerra. Portugal, Brasil e outros países lusófonos contribuem igualmente para os números, numa tendência que inverte anos de emigração ibérica.
“O crescimento aproxima-se dos grandes ciclos migratórios do início da década de 2000. A diferença é que agora a Europa envelheceu — e precisa destes trabalhadores.”
Em resposta a este cenário, o primeiro-ministro Pedro Sánchez anunciou em abril a regularização de cerca de 500 000 imigrantes sem documentos que residam em território espanhol há pelo menos cinco meses. A medida gerou debate intenso nos restantes países da União Europeia, com vários governos a questionar se estas regularizações poderiam influenciar os fluxos migratórios dentro do espaço Schengen. Especialistas da Comissão Europeia deixaram claro que a residência temporária concedida por Espanha não confere automaticamente direito de livre circulação para os demais Estados-membros.
O que isto significa para quem emigra
- Espanha é agora o país com mais entradas de imigrantes na UE — à frente de Alemanha, Itália e França
- A regularização espanhola cria um precedente político relevante para outros países do sul da Europa
- Itália anunciou a admissão de 500 000 trabalhadores estrangeiros entre 2026 e 2028 para combater a escassez de mão de obra
- A nova estratégia migratória da UE, aprovada em janeiro, aposta em vias legais de imigração qualificada em paralelo com o reforço das fronteiras externas
O fenómeno não é exclusivo de Espanha. A Itália, confrontada com um dos índices de envelhecimento demográfico mais acentuados da Europa, aprovou um decreto trienal que prevê a chegada de meio milhão de trabalhadores estrangeiros entre 2026 e 2028, maioritariamente oriundos do norte de África, Ásia do Sul e América Latina. A medida marca uma viragem no discurso político romano, que durante anos apostou na contenção dos fluxos migratórios.
No contexto mais amplo, a Comissão Europeia estima que 46,7 milhões de pessoas residentes na União Europeia nasceram fora do bloco — cerca de 10% da população total. A Alemanha continua a ser o país com mais estrangeiros em termos absolutos, com 17,2 milhões, seguida de França com 9,6 milhões e Espanha com 9,5 milhões. Juntos, estes três países concentram mais de metade de todos os imigrantes residentes na UE. Para a Revista Emigrar, e para os milhões de leitores que acompanham de perto as oportunidades e desafios de viver na Europa, o recado é claro: o continente precisa de novos residentes e está, lentamente, a abrir caminhos para os receber.