Sistemas biométricos, regularizações em massa e novas leis nacionais transformam profundamente as regras para quem quer viver e trabalhar no continente

Por Redação Revista Emigrar·

Sede do Parlamento Europeu, Bruxelas · Reuters

Vista aérea do bairro europeu em Bruxelas, onde se definem as grandes políticas migratórias do continente.

46,7 Mresidentes nascidos fora da UE

500 milregularizados pela Espanha em 2026

4,2 Mchegadas à UE em 2024

AEuropa vive em 2026 uma das suas maiores transformações em matéria de imigração em décadas. Entre sistemas biométricos nas fronteiras, regularizações em massa na Península Ibérica e novas exigências para residência legal, o continente reescreve as regras do jogo para milhões de imigrantes e para quem ainda planeia fazer a travessia.

“A combinação de envelhecimento demográfico e necessidade de mão de obra qualificada obriga a Europa a abrir caminhos legais que antes inexistiam.”

A maior mudança tecnológica chegou a 10 de abril, quando entrou em pleno vigor o Entry/Exit System (EES), o novo sistema biométrico da União Europeia que substitui definitivamente o tradicional carimbo no passaporte. Na prática, qualquer viajante de fora do espaço Schengen passa agora a ter fotografia, impressões digitais e dados do passaporte registados numa base de dados partilhada entre os 27, com armazenamento até três anos. O sistema já identificou mais de 4 000 situações de permanência irregular nos primeiros meses de operação, segundo dados preliminares do setor.

Em paralelo, a Espanha protagonizou o gesto político mais simbólico do ano ao regularizar cerca de 500 000 imigrantes sem documentos que residam no país há pelo menos cinco meses. A medida do primeiro-ministro Pedro Sánchez gerou um debate aceso em toda a Europa e abriu a porta a uma série de desinformação sobre a livre circulação destes imigrantes dentro do bloco — algo que as regras comunitárias continuam a não permitir de forma automática. A Itália, por seu lado, anunciou a entrada de 500 000 novos trabalhadores entre 2026 e 2028 para fazer face à escassez de mão de obra.

Portugal, o destino europeu mais procurado por falantes de português, atravessa um período de mudança legislativa profunda. O visto de procura de trabalho — que permitia a brasileiros e outros lusófonos entrar no país para encontrar emprego — foi encerrado em outubro de 2025 com a nova Lei dos Estrangeiros. A criação de um novo modelo voltado exclusivamente para profissionais qualificados aguarda ainda regulamentação. Os consulados portugueses no Brasil operam já com filas de 45 a 60 dias para a marcação de entrevistas.

A Comissão Europeia apresentou em janeiro uma nova estratégia migratória de cinco anos com três eixos: combater a imigração irregular e as redes de tráfico humano, criar vias legais de acesso, e gerir o asilo de forma mais eficaz e humana. O diagnóstico é claro — com 46,7 milhões de pessoas nascidas fora da UE a viver no bloco e a Alemanha a liderar com 17,2 milhões de residentes estrangeiros, a Europa envelhecida precisa de imigração, mas quer escolher quem entra e como.

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