...Ninguém é mais forte que um imigrante...

Imagine a Europa Sem Imigrante : Colapso Total Imigrantes contribuem com €330 bilhões anuais em impostos na UE

A presença de imigrantes na Europa configura-se como um pilar estrutural tanto demográfico quanto econômico para o continente. Em 2022, estimava-se que 23,8 milhões de cidadãos não europeus residiam na União Europeia (UE), representando 5,3% da população total. Quando incluídos os nascidos fora da UE que adquiriram cidadania europeia, esse número salta para 38 milhões de pessoas, ou 8,5% dos habitantes. Os imigrantes ocupam funções críticas em setores como tecnologia, saúde, construção civil e agricultura, sustentando cadeias produtivas e mitigando o declínio populacional. Estudos revelam que a migração líquida evitou uma redução de 500 mil pessoas na população europeia em 2019, enquanto análises macroeconômicas atribuem aos imigrantes o aumento da renda per capita e a redução do desemprego. A ausência dessa força de trabalho desencadearia crises setoriais, acentuaria o envelhecimento demográfico e reduziria a competitividade global da UE. Paralelamente, as narrativas humanas dos imigrantes—sejam legais ou irregulares—revelam histórias de resiliência e contribuições culturais que transcendem estatísticas.

Contexto Demográfico e Estatísticas Atuais

População Imigrante na Europa

A 1° de janeiro de 2022, a UE registrava 23,8 milhões de residentes originários de países extracomunitários, concentrando-se principalmente na Alemanha, Espanha, França e Itália. Esse grupo corresponde a 5,3% dos 447 milhões de habitantes do bloco. Quando considerados os europeus que migram entre países membros, o total de estrangeiros na UE alcança 12,5% da população, percentual inferior ao de nações como Suíça (30,2%) e Estados Unidos (13,5%). A migração interna europeia também é significativa: 13,7 milhões de cidadãos da UE residem em outro Estado-membro, com Luxemburgo liderando (47,1% de não nacionais).

A dinâmica migratória recente mostra um aumento de autorizações de residência—3,7 milhões em 2022, ante 2,9 milhões em 2021—impulsionado por fatores como conflitos globais e demandas laborais. Contudo, o fluxo irregular permanece minoritário: em 2023, a OIM contabilizou 264 mil entradas irregulares por terra ou mar, equivalentes a 6,6% do total de imigrantes.

Impacto na Sustentabilidade Demográfica

Entre 2020 e 2021, a população europeia diminuiu devido à pandemia de covid-19, mortalidade elevada e redução migratória. Sem a migração líquida, o continente enfrentaria um declínio estrutural, já que o número de mortes supera os nascimentos desde 2012. Países como Alemanha e Itália dependem de imigrantes para equilibrar pirâmides etárias envelhecidas—um desafio que se intensificará até 2050, quando 30% da população terá mais de 65 anos.

Funções Econômicas dos Imigrantes

Setores Estratégicos e Ocupações

Os imigrantes preenchem lacunas críticas em setores essenciais:

  1. Tecnologia e Profissões Especializadas: O Cartão Azul Europeu—disponível em 25 países—facilita a contratação de profissionais altamente qualificados. Na Alemanha, 32% dos engenheiros de software são estrangeiros, enquanto a França atrai pesquisadores mediante programas como “Talent Passport”.
  2. Saúde: No Reino Unido, 18% dos médicos e 24% dos enfermeiros são imigrantes, mitigando escassez crônica de profissionais.
  3. Agricultura e Construção Civil: Espanha e Itália dependem de trabalhadores sazonais do Norte da África e América Latina para colheitas e obras públicas.
  4. Serviços Domésticos e Cuidados: Mulheres imigrantes representam 70% dos cuidadores de idosos na Grécia e Portugal.

Estima-se que 21% das startups europeias tenham pelo menos um fundador estrangeiro, impulsionando inovação e criação de empregos.

Contribuição Fiscal e Previdência

Estudos da OCDE indicam que imigrantes contribuem com €330 bilhões anuais em impostos na UE, superando o custo de benefícios sociais. Na Alemanha, cada imigrante gera um saldo fiscal positivo de €3.800 anuais, sustentando sistemas de previdência sobrecarregados .

Cenário Econômico sem Imigrantes

Colapso Setorial e Recessão

A remoção súbita de imigrantes—legais ou irregulares—provocaria:

  1. Queda de 1,5% no PIB da UE no primeiro ano, segundo modelos do Banco Central Europeu. Setores como agricultura (‑40% de mão de obra) e saúde (‑25% de profissionais) entrariam em colapso.
  2. Aumento de 2,3 pontos percentuais no desemprego devido à redução do consumo e investimentos.
  3. Envelhecimento acelerado: Sem reposição populacional, a razão de dependência (idosos/trabalhadores) saltaria de 34% para 52% até 2040, onerando sistemas de saúde e previdência.

Informalidade e Vulnerabilidade

Mesmo imigrantes irregulares desempenham papéis econômicos vitais. Na Itália, 320 mil trabalhadores informais sustentam a agricultura e construção. Sua ausência elevaria custos de produção em 15%-20%, inflacionando preços de alimentos e imóveis.

Crônica: “O Café de Amália”

Um Retrato Humano da Diáspora

Na esquina da Rua das Giestas, em Lisboa, o Café de Amália resiste ao tempo. A dona, angolana de nascimento e portuguesa por escolha, chegou em 2002 com um visto de estudante. Trabalhou como faxineira, cuidadora de idosos e, finalmente, abriu seu próprio espaço. Nas paredes, fotografias de clientes contam histórias: Mehdi, o pedreiro marroquino que reformou o telhado; Li Wei, a enfermeira chinesa que salvou o neto de um infarto; e Sofia, a ucraniana que ensina violino às crianças da vizinhança.

Amália não consta nas estatísticas oficiais de “contribuintes exemplares”, mas seu café emprega quatro pessoas, paga impostos e serve croissants com um toque de café angolano. Às 6h, já está aberto para os operários que constroem o novo metro. Às 23h, fecha após o último estudante sírio terminar seu latte.

Quando perguntam por que permaneceu, ela responde: “Trouxe minhas mãos vazias, mas enchi-as de sonhos. Aqui, cada xícara é um pedaço de quem eu era e quem me ajudaram a ser”.

Conclusão

A imigração na Europa não é um fenômeno a ser gerenciado, mas uma realidade a ser integrada. Os dados demonstram que imigrantes—legais ou não—são atores indispensáveis na sustentabilidade econômica e demográfica do continente. Políticas que equilibrem regularização, inclusão laboral e gestão de fronteiras serão essenciais para transformar desafios em oportunidades. Enquanto isso, histórias como a de Amália lembram que por trás de cada número há rostos, sonhos e contribuições que moldam a Europa contemporânea.

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